Nem talento que faça sombra,
Nem carácter que impressione,
Nem coragem para que o temam,
Nem honra contra qual murmurem,
Nem bens que lhe cobicem,Nem coisa alguma que invejem..."
Voltaire
Sempre tive algum preconceito comigo mesmo por me achar um pouco estranho com esta minha forma de pensar, mas confesso que Voltaire me ajudou a encontrar o fundamento para a louca forma como encaro esta "filosofia".
Loucos ou não, o que é facto é que, lido bem com o facto de ter amigos tal como acredito que Voltaire lidava, mas lido muito melhor com o facto de ter inimigos. Até porque se pensarmos muito bem, é mais simples de lidar e mais fácil de gerir uma relação de inimizade do que uma relação amistosa, que se revela com o passar do tempo cheia de compromissos, faltas, perdão, acusações, saudades, tristezas, alegrias, decepções, surpresas, etc etc... Sejam coisas boas ou coisas más, as amizações são excelentes relações pela sua riqueza de estados emocionais quer em termos de vivência social. Isso torna-nos menos selvagens. Mas não estaremos nós a contrariar a Natureza do Homem? Quanto mais ele se tenta sociabilizar mais o mindo que o rodeia se torna mais selvagem, mais agressivo e menos vulnerável a um ambiente de amizade.
Ser-se amigo é também ser-se um inimigo, e cada vez mais porque cada homem é amigo consoante o seu próprio interesse e consciência. Um amigo so o é depois de passar nos contantes processos de avaliação e superar os requisitos impostos pelo "outro".
A história já vai longa, e muito mais se poderia divagar sobre o tema, o que me ajuda a reforçar a ideia de que é mais fácil ter/ser-se um inimigo do que um amigo.